sábado, agosto 20, 2005

Sai!

Ouviste o que eu disse?
Sai! E fecha a porta atrás de ti.
A porta, sim a porta!
Sai, se faz favor...
Não, não pode ficar encostada.
Vais sair, vais fechá-la e vais-me dar a chave. E eu vou trancá-la por dentro e tu nunca mais vais entrar.
Sai, já disse!
Sai e fecha a porta!
Caramba, será que custa a perceber? Desta vez não vais regressar! Tu és a porta que eu quero fechar.
Espera! Não saias.
Vamos fazê-lo ao contrário. Saio eu. Bato com a porta. Quero fecha-la, quero sair deste quarto e quero fechar-te cá dentro. Acabou...
Deixa-me! Vou sair...
Não, não há mais conversas, não há mais desculpas, não há mais perdões.
Não há mais amor...
No meio disto tudo, o que mais me magoa é não te poder tocar!
Sou como as crianças, sabes? desejo tudo o que não posso ter, tudo o que não posso tocar!
Se ao menos te pudesse tocar...
Não importa. Não posso! E mesmo que pudesse, tocar-te ia perder o significado, tornava-se banal, entendes?
Eu não gosto de coisas banais. O belo torna-se banal com o tempo. A vida torna-se banal. Tudo perde significado. Até tocar-te. Porque quando te tornar a ver, vou tocar-te e não vou sentir o que penso que vou sentir. Vai ser só um toque. De raspão, ou à bruta. Posso-te cravar as unhas, não importa. Perderia o significado. Assim como tu. Vais perder o sigificado assim que te tornar a ver.